Biomassa de banana verde

Imagem-destaque-biomassa-de-banana(Imagem: Tempero Alternativo)

A biomassa de banana verde é uma ótima opção para quem tem intolerância à lactose, APLV, doença celíaca, pois substitui bem as farinhas de trigo (no caso da farinha de banana verde) e o leite nas preparações. Ela funciona como um espessante e melhora a textura dos alimentos. Além disso, a polpa da banana verde é destituída de sabor, assim pode ser utilizada em bolos, biscoitos, cookies, pães, massas e até vitaminas e sucos, melhorando a qualidade nutricional desses produtos.

É importante que a banana esteja bem verde, pois à medida que ela amadurece diminui a quantidade de amido resistente que é a principal substância que confere sua propriedade funcional.

PROPRIEDADES FUNCIONAIS

Após cozida, a polpa da banana verde possui um alto índice de amido resistente, um tipo de carboidrato não digerível e que possui função pré-biótica, isto é, não é digerido e nem absorvido no intestino delgado, sendo fermentado no intestino grosso (cólon). Essa fermentação produz ácidos graxos de cadeia curta (acetato, butirato e propionato) que servem como combustível para as bactérias benéficas, favorecendo a sua proliferação e ajudando a manter a integridade do intestino. A saúde intestinal é essencial para uma eficiente absorção dos nutrientes, aumento da resistência contra patógenos e melhora do trânsito intestinal. As principais espécies da microbiota intestinal pertencem aos gêneros Bacteroides, Bifidobacterium, Ruminococcus, Eubacterium e Lactobacillus.

Ainda, a biomassa possui baixo índice glicêmico, isto é, a glicose entra lentamente na corrente sanguínea, tornando a digestão mais lenta e garante um controle na liberação da insulina, responsável por permitir a entrada da glicose nas células. Isso, ajuda a prevenir o surgimento de diabetes tipo 2. A glicose controlada dá maior sensação de saciedade e auxilia no controle de acúmulo de gordura, sendo importante na prevenção e tratamento de dislipidemias, doenças coronarianas e obesidade. Cada caso é um caso, portanto, sempre procure um médico ou nutricionista para avaliar o seu caso.

Um estudo feito Zandonadi (2009), utilizou a farinha de banana verde em massas alimentícias que foi bem aceita pelos portadores de doença celíaca (DC) e os não portadores. As preparações à base de farinha de banana verde tiveram redução mais de 98% no teor de lipídeos, sendo relevante para os portadores de doença celíaca pois geralmente as preparações isentas de glúten apresentam alto teor de lipídeos. Além disso, torna-se uma opção para as pessoas que possuem dislipidemias.

 

RECEITA DA BIOMASSA DE BANANA VERDE

IMG_24688 bananas verdes

Lave bem as bananas apenas em água corrente. Em seguida, coloque-as na panela de pressão e adicione água até cobrir todas as bananas.

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Após pegar pressão, marque 10 minutos e desligue o fogo. Depois, aguarde mais 20 minutos e abra a panela. Imediatamente retire as cascas das bananas. Para facilitar utilize dois garfos, pois elas ainda estarão bem quentes. As cascas estarão soltas e fáceis de serem retiradas, assim como a polpa.

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Coloque as polpas dentro do liquidificador e bata bem até formar uma massa. Adicione 4 conchas de água de cozimento da banana para que o liquidificador consiga bater as bananas.

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Após esse procedimento guarde o produto em um pote hermeticamente fechado, de preferência de vidro para garantir que os nutrientes do produto sejam conservados.

Caso queira ver uma versão resumida da receita, assista o vídeo abaixo.

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Referências
BATISTA, S. M. M. et al. Avaliação da resposta glicêmica, saciedade e palatabilidade após o consumo de dietas de alto e baixo índice glicêmico. Revista Alim. Nutr, Araraquara, v. 18, n. 3, p. 315-323, jul-set, 2007.
BINS, N. Probióticos, pré-bióticos e a microbiota intestinal. International Life Science Institute, Bélgica, 2013.
BORGES, A. M.; PEREIRA, J.; LUCENA, E. M. P. Caracterização da farinha de banana verde.
RAMOS, D.P. e col. Amido resistente em farinhas de banana verde. Alim. Nutr, v.20, n.3. Araraquara, 2009.
RANIERI, L. M.; DELANI, T. C. O. Banana verde (musa spp): obtenção da biomassa e ações fisiológicas do amido resistente. Revista Uningá Review, v. 20, n. 3, p. 43-49, out-dez 2014.
ZANDONADI, R. P. Massa de banana verde: uma alternativa para exclusão do glúten. 2009. 107 f. Tese (Doutorado) – Curso de Nutrição, Departamento de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, 2009.
Leonel S;  Leonel M;  Ramos DP.  Amido resistente da farinha da banana verde.  Alim. Nutr, 2009; 20(3):479-83.

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Como lidar com a recusa alimentar?

recusa alimentar(Fonte: Be Onofre)

O QUE CAUSA A RECUSA ALIMENTAR?

A recusa alimentar acontece com mais frequência entre os 2 a 6 anos de idade, já que nessa fase há uma diminuição no ritmo de crescimento e aumento da curiosidade pelo ambiente. A introdução alimentar, realizada a partir dos 6 meses de idade, também pode ser desafiadora, pois serão oferecidos alimentos que o bebê nunca havia experimentado antes, tudo é novo: a textura, o sabor, a consistência, então é normal que ele recuse nos primeiros momentos. Outros fatores que podem ser causas da recusa alimentar, são de origem orgânica, isto é, problemas no organismo, como: refluxo gastroesofágico, problemas respiratórios, desordens na motilidade intestinal, intolerâncias, alergias, distúrbios do paladar, lesões orais e o próprio despontar dos dentes. Por isso, é preciso avaliar caso a caso, por meio de um acompanhamento de pediatra ou nutricionista.

COMO OS PAIS INFLUENCIAM?

Além dos fatores biológicos, os pais tem grande influência na aceitação ou não dos alimentos oferecidos. A criança é sensitiva, e todo sentimento emanado pelos pais será captado por ela. O sentimento de insegurança, repreensão, raiva, falta de paciência, exigência, chantagem, estresse, podem prejudicar a aceitação alimentar. Em muitos momentos, esses sentimentos geram conflitos entre pais e filhos, onde a criança tenta exercer seu comportamento, um tipo de domínio sobre a situação e família. É necessário, calma! Muita calma nesses momentos. Se a criança está com esse tipo de comportamento, é porque há algo de errado e os pais precisam verificar aonde está o problema e resolvê-lo.

DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Devemos respeitar o processo natural de desenvolvimento da criança. No segundo ano de vida, a criança está com maior maturidade muscular, anda com mais desenvoltura, explora o espaço em que convive, antes fora de seu alcance, para conhecê-lo. O desenvolvimento infantil está relacionado ao aumento do grau de autonomia e o processo de socialização, desta forma, a alimentação, que até então era a principal fonte de prazer, passa a ser secundária.

Um estudo realizado pela Universidade do Tennese2, com crianças de 24 a 36 meses de níveis socioeconômicos distintos, teve o propósito de verificar a hipótese de que crianças seletivas possuíam consumo alimentar menor do que as não seletivas, e o resultado demonstrou que não houve diferença significativa na ingestão energética entre os dois grupos. Outro dado avaliado foi o peso e estatura, os quais não tiveram diferença nos parâmetros de crescimento. Todos encontravam-se mantendo velocidade de crescimento adequado, apesar das mães das crianças seletivas acharem que seus filhos tinham algum comprometimento da saúde. Achados semelhantes foram encontrados em um estudo sueco, realizado com 240 escolares. Verificou-se que as crianças seletivas não apresentavam mais problemas de saúde que os outros, e também não eram mais magras que os demais5.

Ainda, existem algumas evidências de que as crianças são capazes de ajustar a ingestão de alimentos. Isso mesmo! Desde que nascemos nosso corpo tem esse mecanismo perfeito. Essa evidência pode ser observado em um estudo realizado por Clara Davis, na década de 1930 que tinha como proposta: as crianças “sabem” o quanto precisam comer?1,3. Esse estudo foi realizado com crianças entre 2 a 5 anos de idade, na ausência de intervenção adulta. Esta pesquisa pioneira leva-nos a sugerir que as crianças possuem uma capacidade inata de regular o consumo alimentar, denominada wisdom of the body – bom senso orgânico – e conseqüentemente são capazes de manter o crescimento e a saúde.

A crença dos pais de que as crianças são incapazes de regular sua ingestão alimentar, gera um sentimento de preocupação, ansiedade e a intervenção dos mesmos, que em muitos momentos recorrem ao emprego de estratégias coercitivas e controladas na alimentação da criança, por simplesmente querer o bem de seu filho. Desta maneira, é válido ressaltar que as crianças nascem com instinto de sobrevivência/preservação4. Isto é, a criança se alimenta impulsionada por dois estímulos: a necessidade do organismo e a sensação de fome.

DICAS PARA LIDAR COM A RECUSA ALIMENTAR

– Respeite o paladar da criança. Ofereça o alimento e avalie sua reação para saber se a criança gosta ou não do alimento. O gosto dos pais não deve influenciar a criança, sendo que os pais devem insistir, de forma positiva, a oferta de alimentos saudáveis.
– Evite dar líquidos próximo às grandes refeições (almoço e jantar), pois diminuem a sensação de fome.
– Após a recusa, não deve insistir em seguida, pois isso irá criar um ambiente negativo que tornará a aceitação do alimento mais difícil. Porém, a criança não deverá ter outra alternativa de consumo para não se habituar a ter sempre opção quando uma comida não lhe agrada e para não relacionar esses alimentos como uma compensação.
– Varie as formas de preparação do mesmo alimento, associando sabores que a criança goste, para aumentar a aceitação. Por exemplo: a cenoura pode ser feita refogada, em um suflê, assada, além de poder ser cortada de vários formatos, como, cubinhos, palito, rodelas.
– Procure novas formas de apresentação da preparação, para tornar mais atrativo. Por exemplo: ofereça a cenoura em um potinho que a criança goste, faça bichinhos.
– Caso a criança seja maior, chame ela para participar da preparação dos alimentos e montagem do prato. É uma atitude que estimula a criança a comer e participar das atividades domésticas.
– Não disfarce os alimentos. É importante que a criança saiba o que está comendo, favorecendo o aprendizado e a identificação de texturas e sabores.
– É possível que a criança recuse o alimentos por várias vezes. Nesses momentos os pais precisam ser pacientes e em outras oportunidades oferecer novamente o mesmo alimento. Alguns estudos mostram que é necessário de 10 a 15 tentativas para que o paladar da criança se adapte ao novo sabor.
– Crianças entre os 2 a 6 anos são neofóbicas, isto é, tem aversão ao que é novo, em relação aos alimentos. Por isso, é importante não desistir de apresentar o mesmo alimento outras vezes.
– Pode ser que a criança não goste mesmo do alimento, e, nesse caso é necessário substituí-lo por algum do mesmo grupo.
– Não use alimentos, brinquedos, passeios como recompensa. Por exemplo: “se você comer a cenoura, pode comer um sorvete”. A criança, provavelmente, irá começar a gostar mais do alimento recompensa do que o que está sendo oferecido. Se a criança não quer comer determinado alimento, não deverá comer nada até a próxima refeição.
– Caso a criança não aceite o alimento, não fique zangado, não bata, não force, não estresse com ela. Isso pode prejudicar ainda mais na aceitação dos alimentos.
– O gosto pelos alimentos pode variar de um dia pra outro conforme seu apetite. Se a criança for saudável e tiver um crescimento normal, não há necessidade de se preocupar. O organismo das crianças sabe de sua necessidade, quando sentirem fome irão comer.
– Seja o exemplo para seus filhos! Consuma aquilo que você deseja que eles consumam (claro, alimentos saudáveis!), pois eles começaram a gostar de novos alimentos ao ver outras pessoas comê-los e apreciá-los.
– Atenção a quantidade de alimento oferecido às crianças! Elas não comem como um adulto. Sirva a criança menos do que é esperado ou desejado pelos pai, pois isso ajuda a criança a comer com sucesso e alegria.
– Se a criança disser estar satisfeita e não quiser comer mais, deve retirar o prato da mesa sem comentários, uma vez que se insistir para que coma poderá fazer com que a criança não saiba distinguir a sensação de “estar satisfeita” com a de “estar com fome”.
– Façam as refeições em um ambiente agradável para que este momento seja associado a um momento agradável. A criança não deve ser distraída com televisão, brincadeiras, doces.
– As refeições devem ser feitas em família sempre que possível, pelo menos uma delas (almoço ou jantar). Os vínculos afetivos aumentam e nesse momento para acompanhar o desenvolvimento da criança.
– Durante as refeições os familiares deverão evitar comentários negativos acerca dos alimentos, visto que, isso desestimula o consumo dos alimentos.
– Reforce as atitudes positivas, mas não repreenda quando esta não for como o esperado.

O mais importante de tudo é o A M O R! Com ele é possível ultrapassar todas as dificuldades e desafios da maternidade. ♥

Deixe seu comentário e sugestões.

Referências
BIRCH, L.L.; FISHER, J.A. Appetite and eating behavior in children. Pediatr Clin North Am; 1995;42:93153.
CARRUTH, B.R. e cols. The phenomenon of “picky eater”: a behavioral marker in eating patterns of toddlers. J Am Coll Nutr; 19(6):771-80, 1998.
DAVIS, C.M. Results of the self-selection of diets by young children. Canad Med Assoc J. 1939;41.
HASLAM, D. My child won’t eat. The Practitioner, (238):770-3, 1994.
RYDELL, A. M. e cols. Characteristics of school children who are choosy eaters. J Genet Psychol; 156(2):217-29, 1995.

Leite de vaca: Intolerante ou alérgico?

Leite de vaca(Imagem: Parents.com)

Há as crianças que não podem consumir o leite de vaca, seja por ser intolerante à lactose ou ter alergia a proteína do leite de vaca (APLV). Mas, qual a diferença entre elas?

INTOLERÂNCIA À LACTOSE

A lactose é um dissacarídeo, uma molécula de açúcar grande, formada pela fusão de dois açúcares simples: glicose e galactose. O nosso organismo não consegue absorver moléculas grandes de açúcar, assim, no nosso sistema digestivo encontramos uma enzima chamada lactase, que quebra os dissacarídeos em monossacarídeos ou molécula simples, permitindo a sua absorção pelo intestino (figura 1).

digestão lactose
Figura 1. Digestão da lactose

Pois bem… Na intolerância à lactose, há ausência ou diminuição na produção da lactase, assim, a digestão da lactose não acontece adequadamente. Quando a lactose chega ao cólon, porção do intestino rica em bactérias, ocorre o processo de fermentação, já que ela não é digerida. Esse processo resulta na produção de gases e ácidos, causando também desconforto intestinal, diarreia, cólicas abdominais, sensação de estufamento, náuseas e vômitos.

Às mamães que possuem bebês intolerantes à lactose, podem continuar amamentando. É muito raro ocorrer intolerância durante o aleitamento materno, pois apesar do leite ser rico em lactose, ele possui agentes facilitadores que auxiliam em sua digestão. Nesse período, a mãe deve evitar ingerir produtos que contenham lactose. Assim, é necessário que se faça a leitura do rótulo dos alimentos para verificar se o produto possui ou não adição de leite em sua composição, pois alguns produtos que nem imaginamos podem ter adição de leite.

Sopa(Ingredientes de uma sopa em pó)

Os bebês que não são amamentados podem utilizar fórmulas isentas de lactose, de acordo com orientação do pediatra ou nutricionista. Geralmente, essa intolerância diminui e até desaparece, após os 2 anos de idade. Para acompanhar melhor, é recomendado o acompanhamento de um profissional como citado acima.

Se o bebê/criança teve alguns dos sintomas citados acima, procurar um profissional da saúde habilitado, e fazer os exames indicados para confirmar a presença de intolerância à lactose. Não façam o diagnóstico por si, apenas!

ALERGIA A PROTEÍNA DO LEITE DE VACA (APLV)

Alergia é diferente de intolerância. Alergia alimentar é quando acontece uma reação anormal do sistema de defesa do organismo às proteínas dos alimentos, neste caso, à proteína do leite de vaca (exemplo: caseína, alfa-lactoalbumina, beta-lactoalbumina).

A APLV é mais comum em crianças, em especial, os bebês. A oferta precoce de leite de vaca para bebês, principalmente nos primeiros dias de vida, aumenta as chances de a criança desenvolver APLV, pois os órgãos do trato digestório ainda não estão prontos e a criança poderá ter dificuldade em digeri-lo, absorvendo suas proteínas inteiras, antes de serem digeridas até peptídeos e aminoácidos. O leite materno é o ideal, por ser nutricionalmente rico em nutrientes, enzimas e  anticorpos que o bebê não consegue produzir sozinho (para saber mais benefícios do leite materno, clique no link: Benefícios do Leite Materno).

Mamães de bebês com APLV podem continuar amamentando, desde que siga uma dieta especial isenta de leite, derivados e alimentos que possuem proteínas do leite, sempre sob orientação de um médico e/ou nutricionista. Caso o bebê já tenha 6 meses ou mais, é necessário que ele tenha uma alimentação isenta de leite de vaca, seus derivados e todos os alimentos que contenham proteínas do leite. E os bebês não amamentados? Eles precisarão de fórmulas especiais de acordo com a indicação do médico e/ou nutricionista. Atenção! Os leites de cabra, ovelha, búfala não são indicados para bebês/crianças com APLV, pois suas proteínas são semelhantes ao do leite de vaca e também podem causar reação alérgica.

A alergia pode se manifestar de diversas formas: a) digestivos: vômitos, cólicas, diarreia, dor abdominal, prisão de ventre, presença de sangue nas fezes, refluxo, etc); b) cutâneos: urticárias, dermatite atópica; c) respiratório: asma, chiado do peito, rinite; d) reação anafilática; e) baixo ganho de peso e crescimento. Os sintomas podem se manifestar em minutos, horas ou dias após a ingestão do leite de vaca ou derivados, de forma persistente e repetitiva.

Alguns cuidados importantes para os alérgicos e pais/responsáveis de crianças com APLV.

Dicas APLV

Fique de OLHO em alguns detalhes dos rótulos dos produtos.

  • Atenção ao termo “traços de leite”: alguns alimentos podem não conter leite, mas foram preparados no mesmo local ou compartilharam maquinário e utensílios de outros alimentos com leite, ocorrendo a contaminação cruzada. Quando isso acontece, o fabricante descreve no rótulo que existe “traços de leite”, ou “pode conter leite”. Contudo, ainda não há uma regulamentação que obrigue essa descrição. Caso haja dúvida, entrar em contato com o SAC do fabricante.
  • Cuidado com a expressão “sem lactose”: este termo não garante que o alimento é isento de proteína do leite de vaca. Assim, é preciso ler a relação de ingredientes e certificar-se de que o produto realmente não possui nenhum traço de proteína do leite de vaca.

Confira uma tabela de substâncias que não devem aparecer na lista de ingredientes para quem tem APLV.

IngredientesFonte: Sem Lactose

E abaixo segue uma lista de ingredientes que POSSUEM e que NÃO POSSUEM proteína do leite de vaca, elaborado pelo site Alergia ao Leite de Vaca.

APLV1

APLV

Deixei separado algumas receitinhas isentas de leite de vaca ou outro de origem animal. São receitas da minha amiga Julia, do blog Herbi-Voraz.

sorvete-vegano-banana

Smoothie vegano caseiro

snack-grao-de-bico

Crocantes de grão de bico

pao-de-abobrinha

Pão de abobrinha

ovo-de-pascoa-vegano-caseiro

Ovo de páscoa vegano

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Leite de aveia

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Hambúrguer de feijão de beterraba

Espero que seja útil!

Hugs and hugs.

Berinjela assada

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Essa é uma ótima receita para tentar oferecer berinjela ás crianças, pois ela fica com o sabor leve e bem saborosa. Pode ser feita também refogada, na forma de cubinhos.

A berinjela possui grande quantidade de água, aproximadamente 85%, importante para manter a hidratação do corpo (claro, sempre mantendo uma boa ingestão de água). Além de vitaminas, em quantidades mais significativas a tiamina (vitamina B1) e minerais como o potássio e manganês. A coloração roxa da casca é pela presença de antocianina, um antioxidante, isto é, protege as células contra danos oxidativos. Além disso, estão presentes flavonóis, como a nasunina, também um antioxidante.

É um alimento muito versátil, e pode ser preparado de várias maneiras, seja grelhada, cozida, assada, e na forma de antepastos e patês. Hoje, deixo uma forma de preparo para vocês. Fiz berinjela assada!


Ingredientes
– 1 berinjela
– 2 colheres sopa de azeite extra virgem
– temperos: salsa desidratada, sal do Himalaia

Modo de preparo
1. Corte as berinjelas em fatias médias
2. Disponha as berinjelas em uma forma
3. Regue a forma com um pouco de azeite e em seguida coloque as berinjelas
4. Regue as berinjelas com as 2 colheres de azeite
5. Salpique salsa desidratada e o sal do Himalia a gosto (modere na quantidade!)
6. Coloque no forno elétrico por aproximadamente 15 minutos (temperatura entre 175 – 200ºC)
7. Sirva imediatamente

Para as crianças pequenas é melhor que se ofereça sem o alho, como está na foto da receita, pois ele pode causar flatulência. Além disso, tem um sabor bem forte, o que não recomendo para as crianças.

Ingestão de líquidos durante as refeições. Pode?

beber-liquido-durante-as-refeicoes-atrapalha-a-digestao(Imagem: Fleury – Medicina e Saúde)

Beber líquido durante as refeições é um hábito comum de muitas pessoas. Mas, precisamos nos perguntar, que tipo de líquido é esse? Qual a quantidade que ingerimos? Claro, que em excesso tudo pode ser prejudicial, e esse caso não é exceção. Saiba o porque a ingestão de líquidos durante as grandes refeições (almoço e jantar) pode ser desfavorável à saúde.

O que a criança costuma beber durante as refeições?

Se o líquido que ingere é refrigerantes e bebidas açucaradas (sucos de caixinha, achocolatado, sucos artificiais ou em pó), por favor, tentem ao máximo evitá-las. Essas bebidas possuem alta concentração de açúcar, conservantes, corantes, que são como calorias vazias, isto é, não traz nenhum benefício nutricional. Ainda, o refrigerante é uma bebida gaseificada e que expande ainda mais o estômago e traz sensação de saciedade maior. Além disso, se a criança é acostumada a beber leite/achocolatado próximo ou durante as refeições, pode prejudicar a absorção de alguns nutrientes, como o ferro, essencial nesta etapa da vida.

A ingestão de líquidos pode diminuir o apetite da criança

A queda nos níveis de glicose no sangue é um fator que gera vontade de comer na criança, além do estômago vazio que aumenta seu apetite. Quando ela ingere uma bebida, principalmente se essa for açucarada, os níveis de glicose subirão, haverá distensão do estômago, e a criança ficará mais saciada, diminuindo o consumo de alimentos essenciais para o crescimento e desenvolvimento saudável da criança, como grãos, leguminosas, verduras, folhas, carne.

Má digestão

Todo processo de mastigação pode ser prejudicado, começando pela mastigação, que pode ficar incompleta. Chegando no estômago, acontecem alguns processos. Nele, há a presença de ácido gástrico, pepsina e renina, entre outras substâncias necessárias para o processo de digestão e absorção de nutrientes. Quando há ingestão de muito líquido, ocorre diluição do ácido gástrico, deixando a digestão comprometida, podendo ocasionar problemas como, indigestão, flatulência e deficiências na absorção de nutrientes, como, ferro, cálcio, zinco, vitamina B12, entre outros. Além disso, a quebra de proteínas, pela pepsina, pode ficar comprometida.

Ingestão de bebida açucarada durante a refeição x Obesidade

Os nutricionistas do Public Health England, agência do Departamento de Saúde da Grã-Bretanha, alertaram para o perigo da ingestão de líquidos durante a refeição. A preocupação deles se refere ao aumento dos índices de obesidade infantil. As crianças ingerem bebidas açucaradas muito calóricas e sem valor nutricional significativo, deixando de lado os alimentos que teriam importância. Esse exagero no consumo ainda eleva o risco de diabetes tipo 2 e de problemas cardíacos, futuramente.
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, do Ministério de Saúde, mostram que em 2013 aproximadamente 8% de todas as crianças de 0 a 5 anos eram consideradas obesas no Brasil. Em números absolutos, eram 345.270 crianças nessa condição, dentro da faixa etária, o que representa um aumento de 79,3% desde 2008.

Mudança de hábitos!

Nada de radicalismo! Todo processo de mudança de hábito é gradativo. Caso, tome algum líquido durante as refeições, opte pela água ou algum suco natural. Mesmo assim, não exagere na quantidade (no máximo 100ml, para crianças e 200ml para adultos), pois mesmo sendo uma opção mais saudável, pode tirar o apetite do seu pequeno, que precisa consumir alimentos variados em especial no almoço e jantar. O Doutor em Nutrição Luciano Bruno, diz que uma prática saudável é, 20 minutos antes da refeição (almoço ou jantar), tomar água com limão na proporção de 50 ml para 1 limão. E dá a dica sobre como espremer o limão; “aperte-o bem para que os fitoquímicos¹ benéficos, como os terpenóides e flavonóis (antioxidantes), seja bem extraído. O pH do limão ácido, é uma ótima forma de estimular a secreção pancreática e biliar, ou seja, estimula a alcalinização intestinal. Como o conteúdo pancreático e biliar é alcalino, rico em enzimas e agentes de saponificação (para a digestão de gorduras), o processe digestivo torna-se mais eficiente”. As crianças se desidratam facilmente, assim, é importante que sejam oferecidos sucos, e em especial a água, nos intervalos das grandes refeições.
¹ são substâncias antioxidantes que conferem cor aos alimentos. Os antioxidantes protegem as células contra dano celulares.


O exemplo começa pelos pais ou responsáveis!

É necessário a mudança de comportamento de toda família! Assim, é importante que os pais ou responsáveis fiquem longe ou modere na ingestão de bebidas durante as refeições. São hábitos construídos com o tempo, com paciência e persistência, mas que só trarão bons frutos!

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Biodisponibilidade do Cálcio

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(Imagem: http://goo.gl/ET7ACP)

Funções do cálcio

O cálcio participa de várias funções biológicas, em especial, na boa formação e manutenção de ossos e dentes, função neuromuscular, coagulação sanguínea.
O conteúdo de cálcio dos ossos é responsável pelo ajuste entre a formação óssea (transferência do mineral do sangue para o osso) e a reabsorção óssea (transferência do mineral do osso para o sangue). Assim, a redução da reserva esquelética de cálcio é equivalente à redução de massa óssea, e o aumento ou adequação da reserva é equivalente ao ganho de massa óssea. O pico de formação da massa óssea vai em média até os vinte anos. Por isso, a ingestão adequada de cálcio na infância e adolescência torna-se tão importante para garantir um saudável desenvolvimento e crescimento dos ossos.
Na contração muscular, após a fibra muscular receber o estímulo, o canal de cálcio da membrana permite a entrada de cálcio para o interior da célula muscular, que irá se ligar à troponina C, dando início a ativação da contração muscular. Além disso, o cálcio tem participação e é necessário para a ativação de sete fatores de coagulação dependentes de vitamina K.

O cálcio também está presente nos vegetais

Algumas crianças podem apresentar intolerância à lactose, alergia a proteína do leite de vaca ou ainda alergia a outros tipos de leite, como o de soja. Mamães, não se desesperem! O cálcio também está presente em alguns vegetais, em especial os da família Brassicaceae, como o brócolis, couve manteiga, repolho chinês, rúcula (145,6 mg/100g), além de outros alimentos, como, gergelim/tahine (907mg/100g), sardinha assada (381,6 mg/100g), tofu, feijão branco.

Tabela 1. Comparação da absorção de cálcio em alguns alimentos.
Biodisponibilidade de cálcio
* Porção referente à equivalente presente no leite de vaca integral (59,7mg).
(Tabela baseada em 5 tabela de composição de alimentos, 3 artigos e outras tabelas. Caso utilizem, por favor referenciar o meu blog).

Biodisponibilidade do cálcio

Diversos são os fatores que influenciam a absorção de cálcio, mas é preciso avaliar a quantidade presente no alimento e sua taxa de absorção, como mostrado na tabela acima.
O ácido oxálico, ou oxalato, é um fator antinutricional, isto é, diminui a absorção de algum nutriente, neste caso o  cálcio. Os alimentos que contêm grande quantidade dessa substância, são considerados de baixa disponibilidade de cálcio. O oxalato está presente principalmente no espinafre, na batata doce, acelga, germe de trigo, farelo de trigo. O espinafre (cru ou cozido), possui boas quantidades de cálcio (110mg/100g), mas por possuir elevadas quantidade de ácido oxálico (750mg/100g), a sua biodisponibilidade diminui para 5%. Os vegetais citados na tabela também possuem oxalato, em menor quantidade, e isso não interfere significativamente na absorção de cálcio. O cozimento é um meio de diminuir a quantidade deste elemento.
Além do ácido oxálico, os fitatos e taninos, podem formar complexos insolúveis com o cálcio, que são eliminados nas fezes, reduzindo sua absorção no intestino. Alimentos com muitas fibras também estão inclusos, visto que também contêm fitatos e oxalatos.

Melhore a absorção de cálcio: atenção à vitamina D!

A vitamina D em conjunto com o hormônio da paratireoide (PTH) são essenciais para o metabolismo do cálcio. Quando o cálcio diminui a glândula da paratireoide libera o PTH, e este ativa a vitamina D para aumentar a absorção de cálcio no intestino; o PTH e o calcitriol atuam juntos para intensificar a reabsorção tubular renal de cálcio e para mobilizar as reservas de cálcio do osso. Quando as concentrações do cálcio extracelular se normaliza, inibe a liberação de PTH. A vitamina D pode ser obtida por 2 vias: a) absorção intestinal  e b) produção fitoquímica de vitamina D3 na pele. Procure variar a alimentação e garantir quantidades suficientes de vitaminas e minerais. A deficiência de vitamina D pode causar retardo no crescimento de crianças, visto que essa vitamina é responsável por 60 a 80% do estímulo de absorção do cálcio nessa fase do crescimento.

Metabolismo cálcio

Acompanhamento…

O que foi informado aqui, não invalida uma consulta médica ou com nutricionista para um acompanhamento individual e mais criterioso da sua saúde.

Referências
Cálcio e Biodisponibilidade
Cálcio – Nutrição Vegetariana
Intolerância à lactose, ingestão de cálcio e osteoporose
Vegetarianismo no prato – Cálcio: mamar na vaca pra quê?
Cálcio sem leite
Tabela IBGE, 2008-2009
TACO, 2011
ABRAN, 2010
UNIFESP, 2013
Nutritive Value Of Foods, 2002
Tabela medida caseira – UFTM
Densidade leite, UFES
Foods that contains oxalats

BUZINARO, E. F.; ALVES DE ALMEIDA, R. N.; MAZETO, G. M. F. S. Biodisponibilidade de cálcio dietético, Arq Bras Endocrinol Metab, v. 50, n. 5, out. 2006.
ADITIVOS & INGREDIENTES. Biodisponibilidade de cálcio em componentes do leite.
CINTRA, R. M. G. C.; GONZALES, N. B. B. Dietas e alimentos: fatores interferentes na biodisponibilidade do cálcio. Rev. Simbio-Logias, v.2, n. 1, mai. 2009.
MARTINI, L. A. Funções plenamento reconhecidas de nutrientes: cálcio. Força tarefa alimentos fortificados e suplementos – Comitê de nutrição. International Life Science Institute, São Paulo, Jul. 2008.
GONÇALVES, A. S.; MEIRELES, L. M..; POPOV, P. C. G. Biodisponibilidade de cálcio numa dieta isenta de leite de vaca e derivados. Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas Agrárias e da Saúde, Campo Grande, v. 15, n. 3, p. 147-158, 2011.
SOARES, L. O. Cálcio – necessidades diárias. Disciplina de Gastroenterologia – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
FOOD INGREDIENTS BRASIL. Dossiê: minerais na alimentação. Revista-fi, n. 4, jul-ago, 2008.

 

O tamanho do estômago do recém nascido

Estômago recém nascido(Fonte: https://babiesfirstlactation.wordpress.com/2013/08/09/the-newborns-stomach/)

Muitas mamães de primeira viagem ficam aflitas e inseguras quanto à amamentação. Mas… Fiquem tranquilas! O seu corpo é tão perfeito que sabe exatamente o que o bebê precisa; e o bebê por sua vez vai demonstrar sinais de fome e saciedade, que você vai sentir e compreender.
O estômago do recém nascido é do tamanho de uma cereja (5 – 7 ml), então não ache que o seu bebê tenha que mamar muito. Ao nascer, o bebê mama de pouco em pouco e com intervalos curtos entre uma mamada e outra, em torno de 8 a 12 vezes a cada 24 horas. Isso vai garantir que o seu bebê esteja bem nutrido de tudo que precisa. O primeiro leite que desce, chamado colostro, é rico em proteínas, água e gorduras essenciais, nutricionalmente adaptado às suas necessidades, além de anticorpos e fatores protetores da parede intestinal (saiba mais, nos post “Benefícios do leite materno”). A natureza é realmente perfeita!
O estômago do bebê vai se desenvolvendo gradativamente, assim como a composição do leite materno. No 3º dia o estômago está do tamanho de uma noz (22 – 27 ml), quando completa 1 semana o tamanho fica como a de um pêssego (45 – 60 ml) e com 1 mês já está do tamanho de um ovo (80 – 150 ml).
Não tenha pressa! Vamos respeitar as etapas e a ordem com que os eventos acontecem. O leite materno é mágico e acompanha cada etapa do seu bebê!

Aproveite essa fase que é única na vida de uma mãe (♥)!

Meu filho não come quando está doente! E agora?

Remedies-for-Sick-Kids

Ok! Muitas mães entram em desespero ao ver seus pequenos sem apetite, com falta de disposição. Aqui, deixo algumas dicas sobre alimentação nesse processo delicado. {Para outras informações, consultar um médico sobre os procedimentos necessários em cada caso}.

  • Nesse momento, os pais ficam preocupados com a saúde do filho. Mas, a preocupação em excesso pode ser prejudicial para sua melhora. Emane pensamentos e palavras positivas, pois isso influenciará positivamente na boa recuperação da criança
  • Não force a criança a comer! Deixe-a a vontade para comer no momento em que tiver vontade e aquilo que tiver vontade. Faça aquilo que ela mais gosta e aceita comer. Estudos indicam que dietas rígidas tornam a recuperação mais lenta.
  • Ofereça água! Nesse momento, é muito importante que a criança mantenha-se hidratada, em especial, em casos de processos que se perde muita água, como diarreia
  • Outros alimentos para se hidratar são as frutas {melancia, melão, kiwi, uva, morango, abacate, laranja, mexerica} e a água de coco
  • Se a criança ainda estiver amamentando no peito, deixa-a mamar em livre demanda, pois o leite materno se adequa a condição de saúde da criança, fornecendo os nutrientes necessários durante esta fase, além de possuir fluidos e eletrólitos necessários para evitar a desidratação
  • Durante esse período, evitar ainda mais alimentos muitos processados, como:
    Açúcar, doces ou chocolates
    Refrigerantes
    Alimentos gordurosos
    Condimentos em excesso
    Leite e derivados
    Produtos industrializados que contenham corantes, aromatizantes e conservantes
  • Claro, dificilmente o peso é mantido. Mas isso não é motivo para preocupação, uma vez que, assim que a criança melhora, seu apetite tende a aumentar por alguns dias e logo o peso perdido é recuperado. Aliás, o aumento do apetite é um forte indício da melhora da criança.

O nosso organismo é fantástico! É uma máquina perfeita! Sempre pensando em como deixar nosso Ser sempre limpo.

Volta as aulas: O que colocar na lancheira?

Slide1(Imagem: Pinterest)

A volta as aulas é aquela correria, não é? Nem sempre dá tempo de preparar lanches nutritivos. Sem falar que às vezes a criatividade simplesmente acaba e você não sabe mais como tornar aquela refeição mais atrativa, sem perder o valor nutricional. Se essas situações fazem parte da sua rotina, não se preocupe. Muitos pais e mães também se reconhecem nelas! Aqui você vai se informar sobre como preparar uma lancheira saudável, algumas dicas, para quem tem o dia a dia intenso.

Bom, fazer a lancheira, além da parte nutricional, também envolve a formação dos hábitos alimentares deles e dos coleguinhas. Dos coleguinhas? Isso mesmo! E, como isso influencia na formação dos hábitos dos amigos da escola? Bem, essa é uma fase na qual as crianças observam e aprendem muito. Assim, é comum ficarem curiosas sobre qual lanchinho o colega leva para a escola. Isso os leva a compartilhar os alimentos. Nesse momento, é que acontece o “experimenta aqui e ali”, seja saudável ou não. E aí, já sabe… As crianças que consomem biscoitos industrializados {ricos em gorduras e sódio}, bolachas recheadas {ricos em açúcar e gordura}, salgadinhos de milho {ricos em gordura, sódio, além de muitos serem transgênicos}, acabam influenciando o consumo destes produtos em crianças que não consomem estes alimentos. Por isso, a importância de preparar a lancheira da criança com cuidado, procurando colocar uma fruta em vez de suco industrializado, ou um bolo feito em casa em vez de bolacha recheada, ou chips de batata doce, ou grão de bico torrado, em vez de salgadinhos de milho. Não estou julgando. Acredito que aprender a fazer essas trocas saudáveis, equivalente ao valor que seria gasto em um produto industrializado, é essencial para o crescimento e desenvolvimento adequado das crianças.

Mas, voltando ao preparo da lancheira… É importante que na lancheira tenha alimentos dos 3 grupos alimentares: a) construtores {proteínas}, reguladores {frutas e verduras}, energéticos {carboidratos}. Deixe os alimentos dispostos organizados, em potinhos de silicone; faça o lanche em forma de bichinho; utilize formas de flor, coração, bolinha para fazer cookies, biscoitos… Utilize a criatividade para que a criança sinta-se atraída pelo seu lanche. Mas, o ingrediente mais importante é o AMOR. Com certeza, esse sentimento chegará a criança e ela terá vontade de experimentar e consumir os alimentos da lancheira. Sugiro utilizar lancheiras térmicas para conservar melhor os alimentos e preservar os nutrientes.

Abaixo segue algumas dicas de lanches saudáveis:

Opção 1
1 fruta (banana/maçã/pera/laranja/mexerica/ameixa/morango/uva)
1 pão integral recheado com patê de ricota/cottage ou atum (sugestão de temperos: ervas aromáticas, tomate seco, azeitona, castanhas – nozes, castanha de caju, castanha do Brasil -> triturar bem)
1 água de coco (verificar na embalagem se realmente só contém a água de coco pura)

Patê de queijo cottage
Ingredientes
1 colher (sopa) de queijo cottage
1 colher (chá) de azeite extra virgem
1 colher (chá) mix de ervas e temperos

Opção 2
1 porção de salada de frutas com raspas de limão
1 pedaço de bolo caseiro (banana/cenoura/fubá/laranja)
1 pote de iogurte natural (sugestão de marcas: ati latte, danubio)

Bolo de banana integral sem açúcar
Ingredientes
6 bananas nanicas bem maduras
2 xícaras (chá) de uva passa escura
3 ovos
2 xícaras (chá) de aveia fina
1 colher (sopa) de fermento em pó
Modo de preparo
Bater no liquidificador 3 bananas, 1 xícara de uva passa, 2 ovos e 2 xícara de aveia. Transfira essa massa para um refratário. Em seguida, bata 3 bananas, 1 xícara de uva passa e 1 ovo. Caso o liquidificador seja potente acrescente a massa do refratário e adicione o fermento ou transfira toda a massa para um refratário grande, adicione o fermente e mexa bem. Deixe descansar por 10 minutos e leve ao forno em forma untada. Assim que dourar bem retire do forno e sirva.
Como fazer o leite de coco caseiro
Ingredientes: 1 xícara de coco ralado + 1 1⁄2 xícara de água quente ou água de coco
Modo de preparo: Deixe o coco ralado de molho por 15 minutos. Em seguida, bata no liquidificador por 4 minutos. Coe em coador de café de pano ou peneira de inox de malha fina.

Opção 3
Legumes cozidos (sugestão: cenoura e beterraba/brócolis e tomate cereja – não precisa cozinhar)
3 unidades de biscoito de polvilho caseiro
1 suco de maçã da fruta na garrafa térmica

Pão de queijo sem queijo
Ingredientes
1 colher (sopa) de massa de tapioca
1 ovo
1 colher (sopa) de creme de ricota
1 colher (sopa) de cottage
Modo de preparo
Misture bem na mão mesmo e ele para assar por aproximadamente 25 minutos.

Pãezinhos de inhame e chia (receita @thaismassa)
3 inhames pequenos cozidos (250g)
1 xic de polvilho doce
1 xic de polvilho azedo
2 Cs de semente de chia
2 Cs de azeite de oliva
2 Cs de água, se necessário
Sal e temperos a gosto
Faça um purê com o inhame (eu usei o mixer) e depois misture todos os outros ingredientes.
Divida a massa em 2 e em uma parte eu coloque 1 Cs farinha de beterraba e na outra, 1 Cs farinha de espinafre. Se quiser, pode colocar cúrcuma e ele fica amarelinho.

Opção 4
1 porção de frutas com aveia em flocos finos ou chia e mel (levar a aveia e o mel separado)
1 unidade de bolinho de legumes (feito na forma de cup cake média)
1 água de coco (verificar na embalagem se realmente só contém a água de coco pura)

Bolinho assado de legumes
Ingredientes
300g de arroz cozido
2 ovos
100g de farinha integral
1 abobrinha ralada
1 cenoura grande
1 beterraba média
1⁄2 maço de espinafre refogado
50g de queijo minas

Opção 5
1 porção de frutas com lascas de amêndoas ou alguma castanha
1 wrap natural (alface/agrião/rúcula, patê de berinjela/cenoura/cottage com ervas, frango desfiado)
1 suco de maracujá na garrafa térmica

Opção 6
1 pote de iogurte com granola (levar granola separada – sem adição de açúcar branco – separadas) ou Leite de castanha com cacau
Frutas picadas (se desejar, pode adicionar ao iogurte)

Leite de castanha com cacau
Ingredientes
½ xícara (chá) de castanha-do-pará de molho por seis horas
1 colher (sobremesa) de cacau em pó
½ xícara (chá) de tâmaras secas
4 copos de água fresca
Gelo (caso seja necessário)
Modo de preparo
– Escorra a água das castanhas e coloque-as com a água no liquidificador e bata até virar um leite.
– Passe o leite por um pano, peneira ou saco para leite vegetal e esprema o líquido.
– Volte o leite para o liquidificador e bata com o cacau e as tâmaras até obter um achocolatado.
– Pode adicionar canela, fava de baunilha, banana, etc.

Opção 7
3 ovinhos de codorna cozidos
2 cookies integrais
1 suco de uva integral (100% natural)

Cookie integral com castanha do Pará
Ingredientes
3 ovos
4 colheres de sopa de açúcar mascavo
100 g de castanha-do-pará/Brasil picadas
1 xícara de chá de farinha de trigo integral peneirada
1⁄2 xícara de chá de aveia em flocos
1 colher de café de canela em pó
1 colher de sobremesa de fermento químico em pó
Modo de preparo
Em uma tigela, misture a farinha de trigo peneirada, a canela e a aveia. Depois acrescente os ovos e o açúcar e mexa novamente até misturar bem. Acrescente o fermento químico, misture suavemente e por último inclua as castanhas picadas, mexa mais um pouco devagar. Faça bolinhas pequenas com o auxílio de uma colher e vá colocando em uma forma untada ou forrada com papel vegetal, deixando um espaço de 5 cm entre cada bolinha. Quando preencher toda a forma, leve para assar em forno preaquecido, por 10 minutos ou até ficar dourado. Retire do forno e deixe terminar de esfriar na assadeira. Depois, coloque em um recipiente fechado para manter a textura.
Rendimento: 35 unidades

Segue algumas dicas para conservação dos sucos naturais.

* Uitilize garrafas térmicas. Uma boa garrafa térmica pode deixar o suco conservado e geladinho o dia inteiro. Assim, não precisa ir ao congelador. Caso não tenha uma, siga a dica abaixo.
* Prepare sucos naturais e coloque no freezer. Congelar faz perder um pouco dos nutrientes, mas ainda é melhor que uma versão pronta cheia de açúcar. Prefira frutas que demoram mais para oxidar, como manga e maracujá.
* Fique atento ao tempo de descongelamento. Tire do freezer uma hora antes de a criança ir para a escola – quando chegar o recreio, estará pronto para beber. Coloque em garrafa térmica para manter a temperatura.
* Polpas congeladas também são uma opção mais nutritiva que os sucos prontos. E mais práticas que os naturais.
* As crianças aceitam melhor frutas mais doces como manga, melancia ou uva. Para adoçar sucos mais ácidos, adicione mel.
* A combinação de frutas é uma alternativa para misturar sabores e nutrientes, como manga e abacaxi.

Segue algumas fotos inspiradoras.

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(
Imagens: Pinterest)

Cuidados na alimentação infantil

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Primeiramente, gostaria de deixar esclarecido que não sou contra nenhum produto industrializado. O meu desejo é orientar as mamães, principalmente, sobre os tipos de alimentos oferecidos ao bebê/criança, que é a fase onde terão o primeiro contato com outros alimentos e na qual formarão os hábitos de vida. Além disso, uma alimentação natural e saudável nessa fase garante um crescimento e desenvolvimento adequado e uma saúde equilibrada.

Mas, vamos ao assunto que interessa…

Você já parou para ler o rótulo dos alimentos? Se não, recomendo que façam a leitura e vejam o que estão oferecendo/ ingerindo em seu dia a dia.

Hoje, falarei sobre os espessantes, farinhas, vitaminas instantâneas, mingau instantâneo. Se olharmos o rótulo, veremos que um dos primeiros ingredientes, se não o primeiro, é o AÇÚCAR. Antes de relacionar esses problemas, confira os ingredientes de alguns produtos {não ficou bem nítida a foto} e a quantidade de açúcar presente em alguns deles.

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Açúcar
(Imagem: http://camillafalcao.com/maternidade/cuidados-na-alimentacao-infantil/)

O açúcar de adição {açúcar cristal, refinado, frutose, açúcar invertido, xarope de glicose, etc}, em excesso, pode causar vários problemas de saúde.

Dentre eles:

Acúmulo de gordura visceral

A gordura visceral fica por trás da parede abdominal e os órgãos que rodeia, no interior da cavidade peritoneal. A gordura visceral afeta negativamente a saúde, aumentando a inflamação nos órgãos. Em parte, porque ele libera substâncias chamadas adipocinas, que são proteínas de sinalização celular que aumentam a pressão arterial e influenciam a insulina. A gordura visceral, também diminui a quantidade de adiponectina no corpo, um hormônio essencial para a queima de gordura que ajuda a acelerar o metabolismo, o que significa que existem mais triglicéridos ao entrar na corrente sanguínea. A combinação da diminuição da sensibilidade à insulina, hipertensão e triglicérides elevadas, muitas vezes pode resultar em aterosclerose, colesterol elevado LDL, e é um fator importante para o desenvolvimento de diabetes.

Hipertensão arterial

Em artigo publicado no American Journal of Cardiology, especialistas liderados pelo Dr. James argumentam que os níveis elevados de açúcar no sangue afetam uma área-chave do cérebro, chamada hipotálamo, que faz com que a frequência cardíaca acelere e a pressão suba.

Sobrepeso/Obesidade

Carlos Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), fala que o sobrepeso “resulta em danos na coluna, aterosclerose(fechamento dos vasos que fornecem sangue e oxigênio ao coração) e lesões no fígado”.

Diabetes Tipo 2

A doença torna o organismo resistente à insulina, que é um hormônio produzido pelo pâncreas para controlar a entrada de açúcar nas células. Se a insulina produzida é insuficiente ou ineficaz, os açúcares acabam retidos na corrente sanguínea, acarretando uma série de complicações.

Alterações no humor em crianças

Um estudo realizado por pediatras da Escola de Medicina da Universidade de Yale concluíram uma investigação que indica que a ingestão de açúcar pode deixar as crianças pequenas irritadas e dispersivas. O doce, além de provocar maior concentração de insulina no sangue, também aumenta a quantidade de adrenalina; e esse hormônio, em excesso, pode provocar ansiedade, excitação e dificuldade de concentração.

Segundo os pesquisadores, os efeitos negativos da ingestão de doces, balas e refrigerantes são maiores e mais evidentes quando a criança come açúcar com o estômago vazio.

Um exame das ondas cerebrais de crianças, logo após elas terem comido doces e bebido refrigerantes, revelou, na grande maioria dos casos, mudanças significativas na capacidade de concentração. Adultos, submetidos a dieta semelhante, não apresentam os mesmos efeitos.

Doenças hepáticas

O excesso de açúcar é transformado em gordura pelo fígado, se você ingere açúcar em demasia, obriga o fígado a trabalhar muito mais podendo levar à esteatose hepática (gordura no fígado).

Cáries

O açúcar é capaz de causar danos devastadores aos dentes. Estudos demonstram que níveis de sacarose acima de 28 gramas por dia podem ser considerados como agentes tóxicos para os dentes

Disbiose intestinal (fermentação, mau funcionamento intestinal)

O consumo de açúcar leva a um aumento do volume do abdome e flatulência. “Tais alterações, podem, entre outros fatores, relacionar-se a mudanças na microbiota intestinal. O excesso de açúcares simples (caso da sacarose, que é o tipo usado nas residências) leva à maior fermentação, o que gera desconforto abdominal e gases. Além disso, fungos e bactérias patogênicas utilizam-no para crescer e se proliferar”, diz Clarissa Poletti, nutricionista e diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da Essential Nutrition (SC).

Além do açúcar, encontramos também corantes, aromatizantes, conservantes, que já sabemos que não faz bem a nossa saúde. A base de muitos desses produtos é a FARINHA BRANCA, outro componente que não agrega muito valor nutricional se comparado aos alimentos naturais.  É composto por amido, uma longa cadeia de moléculas de glicose.

MAS, não confundam o açúcar com a glicose, o açúcar que digo, é aquele de adição {que mencionei acima} que transforma-se em glicose {também!}. A glicose é combustível para nosso cérebro, contudo, a glicose das frutas, cereais integrais, tubérculos, são bem mais benéficas, pois além da glicose fornecem vitaminas, minerais, fibras para o bom funcionamento do nosso organismo.

Sei que a correria leva procurarmos alimentos de fácil preparação. Contudo, se pararmos para analisar o tempo gasto será um pouco mais, porém com muito mais nutrientes. Segue algumas dicas rápidas e práticas para você fazer em casa:

Vitamina de banana com mamão

Ingredientes
1 banana
1 fatia fina de mamão
1/3 de copo pequeno de leite (150 ml)
1 colher (sobremesa) de aveia em flocos finos
Mel para adoçar (opcional)

Mingau de aveia

Ingredientes
1 copo de leite desnatado (ou leite de coco caseiro)
1 colher de sopa de aveia (ou Amarante, quinua em flocos)
1 colher de chá de cacau em pó
1 banana picada
Amêndoas picadas
Uma pitada de canela
Modo de preparo
Misturar todos os ingredientes, levar ao fogo e mexer até engrossar. Colocar na geladeira. Servir gelado.

A aveia possui um valor mais acessível, assim pode ser utilizada para fazer mingau, vitaminas, cookies, entre outras preparações. A quinoa em flocos pode ser adicionada em saladas, arroz, feijão e outras preparações que desejar. A farinha de linhaça pode ser adicionada em cookies, bolos, pães… Todas podem ser adicionadas na salada de frutas também!

Farinhas saudáveis

Espero ter ajudado!

Um beijo.

Referências
Revista Viva Saúde – Excesso de açúcar
Guia do bebê – Cuidado com o açúcar
Telegraph – The Bitter Truth About Sugar
Saúde – Açúcar aumenta mais pressão do que sal
Equilíbrio nutricional
Cinco por Zero – Porque evitar o excesso de açúcar
STANHOPE, K. L. et al. Consuming fructose-sweetened, not glucose-sweetened, beverages increases visceral adiposity and lipids and decreases insulin sensitivity in overweight/obese humans. J Clin Invest, v. 119, n. 5, p. 1322–1334, 2009.
JOHNSON, R. J. et al. Potential role of sugar (fructose) in the epidemic of hypertension, obesity and the metabolic syndrome, diabetes, kidney disease, and cardiovascular disease. American Society for Clinical Nutrition, v. 86, n. 4, p. 899–906, 2007.